sábado, 14 de janeiro de 2017






                                                                      

                                                                  Raízes

A Saga da Família Albuquerque de Assis


                        Esta foto é dos anos 80, a casa está muito velha e mal conservada, e pior, acredito eu que até já esteja demolida dando lugar talvez a uma grande mansão. A rua não era calçada e na beirada da casa havia algumas moitas pequenas de gramas.  Nela aparece ainda meu irmão Sebastião (hoje com 74 anos), minha adorada cunhada Maria Lucia e minha querida sobrinha Adriana.
                   Meu pai alugou essa casa por volta do ano de 1930. Antes, morava ele na fazenda herdada de seus pais. Fazenda essa que quando foi demolida, trazia incrustado nas grandes vigas de sustentação, esquifes talhados com facas ou canivetes em seus dorsos, com os restos mortais de filhos recém-nascidos de escravos. Eram varias vigas de grandes árvores de Pinho de Riga de mais ou menos um metro de diâmetro, que foram apenas lavrados em duas faces. Essas faces eram necessárias para se assentarem nas paredes de pedras empilhadas, que compunham  o  contorno de uma enorme senzala. Na face de cima, sustentava a enorme casa grande de seus donos – meus avôs paternos.


Aqui abro um parêntese para contar alguns causos da fazenda


                     Minha mãe não era mentirosa, pelo contrário, era muito fervorosa tinha apenas o quarto ano primário. Tinha 16 anos quando casou-se com meu pai – era o ano de 1915 (com tolerância de mais ou menos 1ano). Casou-se nova, porque era mal tratada pela sua madrasta, quando seu pai não estava em casa. Alem do mais, nesta época casamentos aconteciam cedo demais. Ela contava os casos, como eles aconteciam:
                    Dizia ela, “ uma vez, eu fui por volta das 4 horas da tarde colher umas folhas de couve, na horta da fazenda, que ficava mais ao fundo do quintal quase ao meio da plantação de cana. Quando abaixei para colhê-las eu escutei um barulho como se alguém tivesse gemido. Eu me levantei de pressa e olhei para os lados e não vi ninguém”. “ à noite, tinha uma pedra  que rolava por cima do telhado e fazia aquele barulho de “TOC”, quando caia no chão. Muitas e muitas vezes eu tinha o cuidado de varrer o local que ela caia, e dizia pra mim mesmo, amanhã eu pego essa pedra. Ela ficava de tocaia para ouvir o barulho e de manhã ia correndo para o local e nada da pedra –  nem mesmo o sinal no chão, de que algum objeto tinha caído. E a altura do telhado era somando os pés direitos das paredes, mais de 7 metros (senzala + casa grande + telhado)” “à noite a gente se reunia na sala ou na cozinha para discutir as tarefas do dia seguinte – na fazenda se  fazia rapadura, fubá, e cachaça. Não tinha mais escravos. Havia sim filhos de escravos que com suas famílias moravam na senzala, mas livres, recebiam soldo por seus trabalhos e alguns trabalhadores brancos. Ás vezes a gente ouvia o barulho de um terço pendurado nas cabeceiras das camas sacudindo. Levávamos os lampiões e para nosso espanto, eles estavam paradinhos. Nessa hora então parávamos tudo que estávamos fazendo e rezávamos o terço”.  “Meu pai falava também que todas as vezes que tinha que sair à noite para buscar alguma coisa em casa de amigos, na volta tinha um cachorro que aparecia ao longe vindo em direção à ele. De longe ele era pequeno, mas, quando passava por ele, ficava do tamanho dele ( e veja que ele estava montado em um cavalo) e não o estranhava. Apenas passava por ele.” “  também falava que o pai dele, Sr Cristhiano, na noite que morreu, ele acordou de noite e falou com a minha vò Sá Liquinha (nome dela certo eu não sei, mas, este era o nome que tinha e que a conheci durante os meus 4 ou 5 primeiros anos de vida) que o moinho estava “moendo pedras” (quando o moinho fazia este barulho diferenciado, era porque alguma coisa estava errado com ele) e que ele ia lá dar uma olhada. Dizia meu pai que quando ele voltou falava que uma mão preta e cabeluda apertou sua garganta e que ele custou a se livrar dela. Muito ofegante, cansado e suando muito, morreu naquela noite.” Minha vó paterna morreu quando eu tinha essa tenra idade que disse acima, infelizmente eu não tinha idade e maturidade para dissecar seu cérebro, extraindo as muitas histórias que certamente ela tinha para contar – eu nasci em uma época errada. Talvez meus irmãos mais velhos saibam de mais algumas histórias. Aconselho meus sobrinhos, a sondar os corações deles para que essas relíquias não vá para o tumulo, sem que venham à luz.

                       Mas, voltando à casa da foto, meu pai tinha uma “venda” e procurava comercializar de tudo um pouco.  A cidade era pequena para atender as necessidades de suas “vendas existentes”, e era preciso ser criativo para sobreviver com pouquíssimos clientes, que só pagavam suas contas com as colheitas. Quem tinha capital, sobrevivia. Quem não tinha se lascava – este era o caso do meu pai. Uma vez, contava minha mãe, meu pai levantou-se cedo e começou a fazer pão de sal. Essa mercadoria não tinha quem a fizesse por lá. No dia anterior, passou um padeiro em sua venda e deu a receita para meu pai, que logo vislumbrou uma saída para sua situação. Quando foi lá pelas dez horas da manhã, minha mãe foi ao quintal pegar algumas verduras e viu aquela quantidade de massa de pão jogada nas bananeiras. Ela pensou: Acho que os pães não deram certo. Melhor é eu nem perguntar à ele, que deveria estar bem chateado.
                    Nessa casa nasceram os filhos Paulo (já falecido), José (morreu praticamente ao nascer) Manoel (hoje com 82 anos) Geralda (hoje com 80 anos) Ivo (hoje com 78  anos), Wilson (hoje com 76 anos), Sebastião (hoje com 74 anos e visível na foto com sua mulher e filhos, nos anos 80), Geraldo (hoje com 72 anos) e eu, hoje com 70 anos (um zero à esquerda).



Essa foto foi tirada em fevereiro de 1947, no bairro dos Pinheiros, hoje bairro São João. Porque minha mãe dizia que eu tinha vindo para Lafaiete com seis meses de idade. Logo, se eu nasci a 22 de novembro de 1946, da para ver na foto que eu deveria estar com 8, ou 10 meses no Maximo, (eu sou o menorzinho da foto).


                            Cheio de sonhos meu pai abandonou Caranaíba (que era mais conhecida por Gloria, em homenagem a santa padroeira, para arriscar seu dote de comerciante na grande Lafaiete. Na foto acima não aparece o Paulo, porque sendo o mais velho havia chegado mais cedo e à cidade e já trabalhava no Bar Mineirinho, que ficava situado na Rua Marechal Floriano, perto da rampa que se subia para atravessar as linhas férreas da Estrada de Ferro Central do Brasil, a fim de se adentrar a parte alta da cidade.
                       Depois do meu nascimento, ainda vieram os filhos: Tadeu (hoje com 68 anos e a Regina (hoje com seus sessenta e poucos anos). Todos casados e pais de famílias. Todos  honrados e com suas esposas e um único casamento. Todos são meus heróis e suas esposas, minhas heroínas. E todos com muitas  histórias para contar.
Em principio dos anos cinqüenta, meus mudaram para o bairro Fonte Grande e se estabeleceu com o seu comercio em uns cômodos que o Sr. Nico Cardoso havia construído para esse fim, debaixo de sua casa, quase em frente a grande fonte, que até hoje parece que subsistiu ao tempo. Ali moramos em duas residências. Uma quase em frente  ao “armazém” do meu pai. Outra, foi no início da rua Saldanha Marinho, vizinhos da Dona Artmisa, e quase em frente a casa de Dona Dinorah (ambas famílias, numerosas). Desta casa eu me lembro de alguns casos sinistros. Quando pequeno eu tinha muita dor de dentes. Eu dormia em uma cama de solteiro junto com meu irmão Geraldo. Eu dormia para cima, com minha cabeça ao lado do Oratório. Este oratório foi a única peça que sobrou dos restos da fazenda, e acompanhava minha mãe e meu pai para onde eles iam, e,  logicamente, para baixo então dormia meu irmão, citado acima. 
                       A cozinha era de terra batida, o restante da casa era com soalho de tábuas. Minha mãe, antes deitar, afastava os tições de fogo do fogão, para que eles apagassem sozinhos. Embora isso não acontecesse sempre. Muitas vezes o vento que entrava pelas frestas da porta da cozinha, ascendia-os e suas chamas brilhavam na parede do meu quarto que era vizinho à cozinha dando a impressão que minha mãe estava lá a cozinhar. Eu às vezes acordava de noite com as mal fadadas dores de dentes e ficava chorando sozinho até que quando não agüentava mais aí eu então ia ao quarto da minha mãe e acordando-a, pedia para colocar ácido fênico em meu dente. Ás vezes eu também acordava com a mesma dor de dente, e quando via as chamas refletidas na parede do quarto, eu esperava um pouco e as vezes ouvia o caneco (feito com as latas de conservas, porque não tínhamos dinheiro para comprar xícaras e ou copos) bater no fogão como se uma pessoa tinha acabado de tomar café e estava soltando a caneca. Outras vezes, eu ouvia o barulho de linguiças sendo fritadas e um barulho próprio de quem colocasse a lingüiça na boca e fizesse frixxxxx, na tentativa de esfriá-las. Eu então me levantava e chegava à porta da cozinha e para meu espanto, não tinha ninguém lá... nem o tal caneco cujo som ouvira, não estava em cima do fogão. No dia em que mudamos, enquanto o carroceiro levava a mudança, minha mãe estava na janela esperando a volta dele, quando uma mulher chegou debaixo da janela e começou a conversar com ela. Eu estava no chão do quarto, junto aos pés de minha  mãe brincando com um carrinho, e escutava a conversa das duas. Minha mãe dizia à sua amiga “é... eu estou aqui esperando o carroceiro que foi levar uma viajem para a casa que nós vamos mudar. Acho que a outra viajem vai ficar para amanhã, porque já está muito tarde, e ele está demorando muito. A amiga dela então falou: Que bom Dona Alaíde que a senhora vai mudar dessa casa. Minha mãe então perguntou – Porque? A amiga respondeu – Ah... o pessoal daqui fala que esta casa em que a senhora esta morando é mal-assombrada... durante a noite ouve-se barulhos de caneco na cozinha;  o fogo do fogão ascende-se sozinho; e barulhos de pratos como se alguém estivesse comendo. Nossa! – disse minha mãe – agora que a senhora me falou isso, eu não fico mais nem uma noite. O carroceiro vai ter que terminar essa mudança nem que seja de madrugada. Aqui eu não passo mais nenhuma noite.
                          Mudamos então para uma casa que era geminada com outra a rua 15 de novembro, no mesmo bairro. Aliás, eu lembro que moramos nas duas casas, em épocas diferentes. Minha Irmã Geralda, quando chegou em Lafaiete foi estudar no colégio Nazaré, mas como não tínhamos dinheiro para mantê-la, teve que abandonar o curso de normalista.


Dado minha idade ser muito pequena, vou contar aqui alguns causos desta época, que ainda me lembro


                    Entre a casa da rua Saldanha Marinho e a fonte grande, havia um terreno baldio, mas que tinha dono, porque era cercado com arame farpado. Dentro dele tinha dois espaços com grama. Em um deles, era comum se reunir ali os filhos da Dona Dinorah, da dona Artmisa e os meus irmãos (e eu junto). Ali se falava de tudo. Os mais velhos contavam vantagens para serem invejados (principalmente o Carlos, filho da dona Artmisa, que era o mais velho e tinha o habito de ficar fincando o canivete na grama por entre os dedos espalmados no chão, com rapidez. Coisa que ninguém ousava igualá-lo. Certo dia ao cair da noite, começaram a contar casos de assombração. Antes de começar, o Sebastião me mandava embora para casa, mas eu não ia porque também queria ouvir tais casos e ali ficava. Quando os nervos se afloravam em mim, de puro medo, ai eu começava a chorar ai o Sebastião me xingava e me levava ate em casa, porque sozinho eu não tinha coragem de ir.
                    Ainda nessa casa, sonhos a gente tinha, e quando começava a chover nós nos reuníamos no quarto grande, onde dormia o Paulo, o Wilson, Sebastião e Manoel. Embora o Manoel e o Paulo já trabalhassem por isso não participavam das conversas.                   Todos nós sonhávamos com caminhões e o mais imaginativo era o Wilson. Todos nós ficávamos esperando ele discorrer seu sonho. E Le dizia que ia comprar um caminhão cobra (hoje caminhão tanque de combustível), só que o dele era enorme e o descrevia com as suas cores e até mesmo as flâmulas que ele ia colocar na grade do radiador e na antena, ele fazia o barulho do caminhão subindo as ruas que citava e buzinava com aquele som nostálgico e ao longe. O Wilson hoje é um poeta (orgulho da família) não tem estudo superior e alem de escrever poesias de alto nível (parnasianismo), ainda é o principal orador da Academia de Letras de Lafaiete. Ele conta com a minha maior admiração. Quanto ao Ivo, futuro igual poderia ter tido. Sempre tirava o primeiro lugar nos estudos do ginásio. Este fato era tão corriqueiro em sua vida que por muitas vezes ele convidado a comparecer na rádio local, para ser entrevistado. Gostaria de se formar em engenharia, mas todas as tentativas que fez, sempre sucumbiu no fato de não ter como pagar os estudos.
                     Quando morávamos na rua Felipe Dias, mais ou menos em frente à casa do Sr Nico Cardoso e logicamente o armazém do meu pai, uma noite, o Paulo saiu com uns amigos para fazer serenata para as moças da redondeza do bairro. O Paulo era um exímio clarinetista – tocava como ninguém. Quando pararam à pedido do Paulo, em frente a casa do Sr. Nico (este senhor tinha uma filha muito bonita e o Paulo andou arrastando a asa para ela. Um pai, das moças que foram atendidas primeiro, chamou a policia e ela chegou quando a orquestra se preparava para tocar. Foi uma correria total, cada um procurou se esconder como pôde. A mamãe tinha deitado e não conseguia dormir porque o Paulo tinha saído para fazer a seresta e seresta naquela época estava proibida. Dizia ela que ouviu um vozerio alto quando os rapazes chegaram na casa do Sr. Nico. Logo depois foi uma correia só, ela pensou: pront, a policia espantou eles. Ela no dia seguinte, me contou que só ouviu o som da clarineta do Paulo, fazendo iiiiiiiiiii, porque ele correu com a clarineta sem a tampa do bocal e o vento que se deslocava com sua corrida fazia o instrumento assobiar.

                    Antes ou depois que moramos na rua 15 de novembro, também moramos na rua Coronel Albino, em frente a chácara do Sr. Geraldo Dias, onde fizemos amizade com sua família. Dona Inês sua esposa, tinha muita pena da mamãe e procurava ajudá-la sempre que podia. Dona Inês foi uma santa, eu gostava muito dela.   E foi num natal não sei de que ano, mas sei que quando amanheceu o papai Noel tinha trazido uns carrinhos pequenos de plástico duro, acho que ainda não tinham inventado o plástico flexível. Cada um de nós Wilson, Sebastião, Geraldo e eu, ganhou um. Não sei se por influencia da guerra de 1940, ou da guerra das Coréias, eles todos tinham uma arma de guerra. O mais inebriado com os brinquedos era o Wilson, imaginativo como era, ele rodava o carrinho no chão de cimento e fazendo o som dos tiros com a boca, atirava nos pseudos aviões que só ele via. O vizinho nosso que tinha o pai mais abastado ganhou um velocípede. Não demorou muito e o menino distraído, passou por cima do brinquedo do Wilson... naquele dia para ele, acabou a brincadeira.

                  Nessa casa também nasceu o Tadeu. Motivo de um dilema que só descobri mais tarde a verdade. De manhãzinha quando me levantei da cama, eu vi um menino de cabelos louros no colo da minha mãe. Curioso eu perguntei o papai como aquele menino tinha chegado a nossa casa.  Meu pai muito sem jeito e sem saber o que dizer, falou que ele tinha trazido ele no balaio de carvão que ele sempre trazia para casa depois do trabalho, para acender fogo no fogão. Por muitos anos eu não tinha o Tadeu como irmão natural e sim adotivo. Só com o tempo me revelaram a verdade.

                    Também nessa casa, o Sebastião brincando com o Tadeu em cima da cama, pegou-o pelas mãos e levantando-o por cima de seu rosto com os braços esticados, cantou aquela musica da época “ Deixa as águas rolar, as águas vão rolar... o Tadeu mijou no rosto dele.

                   Depois disso, voltamos a morar na casa da rua 15 de novembro, na casa que era geminada com a que moramos primeiro. Nessa época, não tinha moça mais bonita na cidade que minha irmã Geralda. Ela foi muito assediada pelos gaviões da época. Como todos que cresciam e chegavam em idade de trabalhar, logo minha mãe tratava de arrumar um emprego para ele. Assim chegou a vez da minha irmã trabalhar. E ela foi trabalhar na Casa Milagres, que ficava mais ou menos onde é hoje o Banco do Brasil. O filho solteiro do Sr. Milagres não dava sossego para ela. Mas ela não dava bola para ele. O amor da vida dela se chamava Alvaro Horta Filho. Lembro que nessa época fizeram uma escada em frente a casa que morávamos, porque ela ficava em um barranco e era de difícil acesso. Mais ou menos na inauguração dessa escada, a Geralda trouxe o Álvaro para conhecer os meus pais. Eu só sabia que ele tinha uma mancha vermelha, de nascença, no  rosto. A escada não tinha iluminação e quando ele chegou os dois ficaram conversando na escada, e eu curioso, fiquei por perto. Toda vez que ele riscava um fósforo para acender um cigarro, eu chegava mais perto para ver a mancha do seu rosto.
                        Ele foi o maior motorista de caminhão, que eu vi em toda minha vida. Infelizmente ele bebia muito, vicio apanhado durante sua vida de camioneiro, acompanhado pelo uso farto de Pervintin (comprimido que eles usavam para não dormir), e razão das muitas interrupções do seu romance com minha irmã. Mas, ninguém conseguiu separar os dois. Certa vez eu devia ter quase 15 anos, ele comprou um caminhão Internacional L-160, e fazia fretes da mina do “Morro da Mina” até a vizinha Cocuruto. Eu fui com ele varias vezes de companhia. Era um monstro de caminhão. Sua báscula era enorme e própria para trabalhar em minas. Seu acelerador era uma sapata de mais ou menos uns 40 ou 50 centímetros. A altura da cabine, era tão alta, que eu precisava me pendurar nas maçanetas das portas para adentrar o veiculo. Dentro dele a sensação era de que ele tomava toda a rua e não daria passagem para outro veiculo – um exagero de caminhão. Meu cunhado (e meu ídolo) bebia á tarde e ia com esse caminhão até a casa de minha mãe, que morava na rua Sete de Setembro (uma rua estreita e fora dos padrões normais), desviava de um carro que normalmente ficava estacionado nela(porque o dono não tinha garagem e deixava o carro na rua) e quando chegava em minha casa, subia em cima de um pequeno barranco, para deixar passagem na rua para outros carros. Ali ele debruçava no volante e minha mãe saia no portão e chamava-o para entrar em casa. Ele abria a porta, segurava no pescoço da minha mãe, e ia cambaleando para dentro. Que eu saiba, ele nunca esbarrou o caminhão em lugar algum e ou, tenha atropelado alguém.

Fim (por enquanto) Talvez um dia eu continuo com este assunto.



  

Nenhum comentário:

Postar um comentário